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terça-feira, 5 de junho de 2012

Judaísmo

Judaísmo

Sempre tive no judaísmo grande influência em minha filosofia, mais especificamente pela mística judaica e pela cabala. Sabemos de vários costumes judaicos e suas regras, como circuncisão, alimentos, festas, feriados e demais acontecimentos, e temos no sábado ainda dia de descanso e várias influências no cristianismo, que sem o judaísmo ficaria vazio de sentido.
Há várias crenças comuns entre nós e eles. Como a ressurreição, o Juízo Final, os anjos, Deus único, os mandamentos. A Torá possui 613 mandamentos, que são os nossos 10 e mais outros, como regras alimentares e de costumes e convivência. As regras alimentares não são sem sentido, pois animais possuem, alguns deles, demônios, ou a alma animalesca, que afasta o homem da alma divina. O misticismo do hassidismo explica isso. Vai muito além de não apenas comer carne de porco. E a alma possui 613 órgãos com 613 mandamentos, segundo Rabi Zalman. O judeu ora 3 vezes por dia, ao nascer do Sol, ao por do Sol e quando apontam as 3 primeiras estrelas no céu. Ainda há a benção antes e depois das refeições. O ano novo judeu é diferente do nosso, fica entre setembro e outubro e se chama Hosh Hashaná, e 10 dias depois há o dia do perdão, com jejum.  Também o judaísmo não apóia a cremação, haja vista que o Messias restaurará os corpos no Juízo, prejudicando assim segundo eles, esse procedimento.  Acreditam na ressurreição e também na reencarnação, segundo Abraão Bernardo Sweiman, responsável por uma sinagoga em São Paulo, no Bom Retiro. E entendem a alma não só como humana.
A cabala foi entregue a Moisés juntamente com as pedras dos mandamentos. Isso se trata da tradição oral e mística, que é também um 4° nível de interpretação da Torá, que foi ainda escrita posteriormente. Temos assim cabala presente na Mishna, bem como nos Talmudes (babilônico e de Israel) e especialmente em dois livros, no Zohar (explendor, palavra presente em Ezequiel) e no Sepher Yetzirah, o Livro da Criação. O Zohar tem mais de 20 Volumes de comentários sobre a Torá ou Antigo Testamento (Tanach), e o Sepher Yetzirah fala de uma Criação a partir da água, fogo e ar.

Deus criou o mundo pela Torá, pois Tora significa Lei, e antes das coisas existirem fez essa lei. As letras guardam assim energia, e são ao mesmo tempo números. Nos leva assim ao filósofo Pitágoras e sua divindade do número. Na cabala existe a guematria e outras técnicas que revelam uma sabedoria dos números presentes na Torá. A cabala fala em 4 mundos ou dimensões: o dos arquétipos, o da Criação, da emanação e da manifestação. Estaríamos mais nesse último, mas em relação com outros mundos. Grande parte do fundamento disso está em Ezequiel, com sua carruagem divina, a Merkabah. Toda uma tradição mística se envolveu dessa narração do profeta. Antes da queda Adão tinha corpo de luz e conversava e mandava nos anjos. Também Adão teria recebido um livro de Deus e outros fatos que pela tradição revelam mais detalhes que pelos evangelhos.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Cristologia Alta

Cristologia alta

“Ao que perguntaram todos: Logo, tu és o Filho de Deus? Respondeu-lhes: Vós dizeis que eu sou”. (Luc 22:70)

        Hoje acordei e via na TV o programa no canal católico Rede Vida, chamado “Páginas difíceis da Bíblia”, onde se falava de cristologia alta, que se refere a estudo de títulos, nomes que são dados a Jesus, ou que ele mesmo se dá, que relacionam este a Deus, nos levando assim a Trindade. A cristologia baixa seria um modo de ligar Jesus a um profeta, mas não necessariamente a sua divindade.
            Na cristologia alta o principal nome ou título (ou mote) que Yeshuah ou Jesus se dá está em João e outros evangelistas, que é EU SOU. Isso ocorre várias vezes, como em frases: “Eu Sou o caminho, a verdade e a vida”, “Eu Sou a ressurreição” e assim por diante, nos levando a sarça ardente de Moisés, onde o Senhor disse “Eu Sou Aquele que Sou”, ou seja, ao próprio Deus. Já a cristologia baixa, poderíamos ver Jesus designado como Filho do Homem, O Profeta, Emanuel, Filho de Deus, Galileu, Nazareno e assim por diante.
            Esse Eu Sou nada mais é que mistério do Verbo, ou do Logos/Pneuma, ou Sopro, o que nos aproxima da presença do próprio Deus, e de Sua Palavra. Pois Deus se manifestava em coluna de fumaça, sarça ardente, nuvem, etc, através de Sua Voz, pois não era dado ao homem ve-Lo face a face. Logo Jesus nesse seu mote, que é nome iniciático, assim como o nome Yeshuah, nos mostra aquele que é o Homem-Deus, já sendo tema dedicado de Martinistas, entre Willermoz, Saint Martin e Böehme. Nos leva assim a cristologia alta a uma mística, onde superamos o homem carnal Jesus, sem negá-lo, e assim adentramos na esfera do espírito que vivifica, em níveis superiores de hermenêutica.  
            Também nos leva a relação com o Espírito (Santo), com pneuma. Assim a Trindade pode nos revelar a lei do triângulo, já presente em outras visões sobre o divino, ao longo do mundo. O Jesus Cristo também nos leva a pensar na personalidade de Deus, como veem os hindus para o seu Krishna. A cristologia alta então faz do EU SOU uma personalidade de Deus, o próprio Deus, sem contudo negar que há distinção entre o Pai e o Filho. Vemos mesmo que o poder de cura e transformação é mesmo divino, e que o poder do Verbo é algo que supera a mera carnalidade, ligando-se muito a palavras de poder, e pensamentos, como demonstra o maçon Jorge Adoum em suas obras. E Martinistas veem Jesus como O Grande Arquiteto. Nesse passo, um místico Rosacruz chamado Vicente Velado  (criador do quadro acima retratado) diz que Cristo é regente do sistema solar, chamando-o de Cristus Rex. Por tudo isso, vemos que a tradição mesmo, e até o Credo Católico, que soma tradições orais a escritos evangélicos, afirma que Jesus se trata do homem-Deus, nos ratificando uma cristologia alta.  

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Significado místico da Páscoa

Significado místico da Páscoa





            A ressurreição de Cristo é a manutenção da vida da Natureza, de forma que anualmente esse Verbo renova o que parecia morrer, pois tem no Cósmico sua influência de germinação, que representamos pelo ovo, origem da vida, pois o Cristo é a origem da vida, é “O Vivo”. Assim também o pão do céu e a fuga das trevas do Egito, da escravidão, nos levam errantes e transeuntes no rumo à liberdade, que apenas se encontra na “terra de leite e mel” (no Reino dos Céus). Então esse pão do céu é na verdade a Torá-Bíblia (Lei), que entregue pelo Altíssimo encaminha o homem para a alimentação de seu espírito, verdadeira alimentação. As 4 letras do Nome Santo assim estão unidas e o homem santo (tsadik) está na presença de Deus (Shekinah), e é um Cristo em formação, para por fim ter se libertado da sua cruz pessoal (matéria que aprisiona).
         Nessa época, no hemisfério norte as sementes germinam e aparecem também os frutos, e assim a vida que Cristo Cósmico difunde no mundo, revela o seu sacrifício, o sacrifício do Logos na matéria, que assim vive e revive. E o ovo está em várias cosmogonias, desde a escandinava, a hindu, egípcia e outras, revelando a origem do Universo, que hoje a ciência coloca sabiamente no ovo anterior ao Big Bang. Esse ovo é claramente símbolo além da vida, do ciclo e do retorno a vida após a transformação, que entendemos por morte. Um ciclo é revelado, e isso supera a velha linha reta, que apenas está com relação a ressurreição, mas que antes exige a reencarnação para sua devida evolução. E o ovo é chocado pela serpente, não por satanás, mas pela serpente que está na estaca (ou cruz) de Moisés, na serpente de bronze, que prefigurava Cristo.
         E o homem encontrará esse mistério no “Juízo Final”, na segunda morte, onde seu veículo grosseiro e animal é dissolvido para dar lugar ao santo veículo de consciência, pois assim está escrito que não “herda o Reino a carne”. Então por isso “não mais haverá esposos e esposas”, nem mesmo será necessária a morte. A ressurreição estará assim presente quando encontradas as “7 igrejas” e também abertos os “7 selos”, pois antes desse tempo, ou “daquele tempo” não poderá ter revelado esse mistério. Cristo morreu por todos os “vivos”, e ressuscita em toda a vida que evolui, fazendo si mesmo a presença através do Espírito Santo. E a espada (do Verbo) vem para esse tempo, somente podendo ouvir quem “tiver ouvidos para ouvir”, pois do contrário não serão reconhecidos. Morte no plano material é nascimento no plano espiritual, e vice-versa. Cristo rompeu o ciclo, quebrou o ovo, e assim teremos nós um dia que fazer.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Versículos do gênesis comentados

26 E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra.

Comentário: O Adão Kadmon, o Homem Universal, que possui a Alma de onde surgem todas as almas, incluindo todas estas na sua (conforme O Tanya), tinha domínio sobre os anjos, os quais o temiam. O poder desse Adão o poderia dar a referência de um filho de Deus, perfeito. É a árvore da vida, o diagrama cabalístico onde está o universo e seus mundos, sendo em macrocosmo o que é representado em microcosmo no corpo do homem, ou da humanidade (coletiva). A Criação é feita por meio da fala, segundo Pirkê Avot, pois “o mundo foi feito com 10 pronunciamentos”, o que nos faz pensar nas dez sefirot, esferas da árvore.

27 Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

Comentário: Imagem por ser santo, pois O Senhor é santo. E pela lei do gênero, tudo tem gênero, logo essa obra resultou em macho e fêmea (não fala homem e mulher). Aqui muito místico falam de um Adão andrógino, possuindo os dois sexos, e é de certa forma uma fase esotérica da evolução da humanidade, descrita por outras vertentes religiosas. Tal raça especial teria vivido até na Lemúria, segundo alguns esoteristas. Também a imagem e semelhança se deve a Alma antes estar nos minerais, vegetais e animais, cuja forma não é humanóide. Certas tradições falam que existia um homem mineral e um homem vegetal (Max Heindel), e isso pode justificar que antes não havia “imagem e semelhança”. Saint Yves fala em “corpo de anjo”, o que pode ser também bem provável, uma vez que os Elohim na obra da Criação eram anjos, e tinham o Nefesh (Alma), da qual “sopram” em Adão. A imagem também é a capacidade de pensar, a inteligência da humanidade. Em verdade, a primeira raça foi sem sexo e a segunda hermafrodita, a terceira, hermafrodita que se separa (Caim-Abel), a quarta provou o fruto proibido e a quinta que se aproxima do quinto elemento. Fato é que a primeira raça era espiritual, então não podia ser atingida por dilúvio ou fogo. São assim em sentido oculto 7 Adões.

(Trecho do livro Bíblia e Misticismo) 

domingo, 11 de dezembro de 2011

Aspectos místicos do Natal

Aspectos místicos do Natal



“Ora, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. E, entrando o anjo onde ela estava disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo. Ela, porém, ao ouvir estas palavras, turbou-se muito e pôs-se a pensar que saudação seria essa. Disse-lhe então o anjo: Não temas, Maria; pois achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai; e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lucas 1: 26-33).


            No dia 25 de Dezembro vemos o tempo da luz, da vida e do amor.  Do ponto de vista cósmico o Cristo-Solar nasce no signo de virgo (de uma Virgem) e caminha na noite mais escura do ano no hemisfério norte, a que antigos chamavam de solstício de inverno, sendo Ele a luz do mundo, que supera as dificuldades do inverno e sempre retorna com a fertilidade e boa colheita a cada ano. Nasce assim de forma imaculada, sem nenhum pecado. Comparando a isso existiam uma série de cultos e que tiveram a data de 25 de Dezembro como o nascimento de seus mestres (deuses como Krishna na Índia, Hórus no Egito, Buda, Zoroastro no Irã, Mitra e tantos outros), anunciando assim  a salvação de cada Era, presentemente com o maior que conhecemos, Jesus, o Cristo, ou Yeschouá.
         Sobre Jesus histórico, não sabemos da data de seu nascimento. Mas muitos dizem que a Igreja usou a data com base na comemoração do Deus romano “Invicto”, o que é apenas suposição, tendo em vista o que vemos sobre a antiguidade da data e aspecto comum em várias nações e crenças. Mas Cristo é crucificado no Equador, e assim o aspecto cósmico ganha ainda mais símbolos. Nasceu assim Jesus quando havia uma treva espiritual, em meio a descrenças e poderes cada vez mais desumanizadores e para revelar o Novo Adão, o Novo Homem que estava por surgir, o qual se pautaria nos seus elevados preceitos morais, antes apenas compreendidos por raros filósofos e iniciados, agora disponíveis a todos os que “buscam” a reintegração com Deus, e a encontram pelo batismo (nas águas que purificam e transformam, na mãe celeste, Virgem Maria, Biná da cabala). Também em Cristo Cósmico vemos o signo estelar de Áries, o cordeiro de Deus, mais uma vez sacrificado no mundo, para a remissão dos pecados e da queda (da esfera cabalística do Reino, que antes estava próxima ao Grande Rosto, a presença do Senhor Pai, Hockmah/Sabedoria da cabala, que caiu de uma esfera espiritual para uma esfera material, Assiah).
         O Novo Homem assim renasce e comemora o Natal no seu Cristo Interno, pois é um Cristo em formação. Desta forma, está escrito: “Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos contidos em ordenanças, para criar, em si mesmo, dos dois um Novo Homem, assim fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a inimizade; e, vindo, ele evangelizou paz a vós que estáveis longe, e paz aos que estavam perto; porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito” (Efésios 2: 13-18). E esse é o caminho do místico martinista, pela oração, caridade e compreensão mística desse mistério.
         Voltando aos símbolos do Natal, temos a árvore, hoje tão adornada com enfeites, bolas e luzes. Essa árvore pode ser entendida como a árvore da vida, descrita no livro do Gênesis bíblico, e seus enfeites deveriam ser em verdade, frutos. Existia no princípio, antes do mercantilismo, as árvores naturais e onde eram colocadas ou maçãs, ou velas, isso muito antigamente. Isso se deu por herança de tradições alemãs, polonesas e inglesas, e com imigrantes que continuavam a sua tradição de cortar alguma árvore para comemorar o Natal, já no Novo Mundo, na América. Da tradição teutônica ou germânica, sabemos que a comemoração da árvore é anterior, e que leva a árvore sagrada do Deus Odin, o maior do panteão nórdico, o Pai, de sabedoria e outras qualidades extraordinárias, e sua árvore Yggdrasil, que faz sombra ao Universo, sendo a “árvore do conhecimento”, uma árvore assim gigante e dos tempos dos gigantes (nos lembra os personagens do tempo de Noé...). Assim sobre as datas comemorativas, lembra um texto martinista do grupo Hermanubis, disponível na Internet: “Se as pessoas fossem um pouco mais curiosas, observariam que absolutamente nenhuma das festas até hoje comemoradas encontram-se nas escrituras sagradas, e quando existe uma festa com o mesmo nome bíblico, não obedece a prescrição de ser comemorada na data determinada.  Por mais que o leitor procure, não encontrará em nenhuma bíblia oficial o dia 25 de Dezembro como data natalícia de Yeschouá o Grande Arquiteto do Universo, ou o dia 31 de Dezembro como um dia que marca para a mudança do ano”. E na Europa anterior ao cristianismo se comemorava a época com fogueiras nas árvores (comemoração do fogo), e com relação as colheitas futuras.
         A estrela que guiou os magos até o mestre era uma marca dos magos, ou mesmo simbolizada por um pentagrama, estrela de 5 pontas ou mesmo um hexagrama, de 6 pontas. Seus presentes também tinham simbologia espiritual. Sobre a data,a igreja oriental celebra em 6 de janeiro. E Lucas que citei no início, foi referido em um censo de Quirino, falado em papiros egípcios. Ainda por correção de calendário, seria o nascimento em data de 5 ou 4 a.C. Belém é ponto comum entre Davi e Jesus, e o nascimento assim de um messias teria de ocorrer nessa localidade, já por profecias.  A estrela de Belém é assim o Místico Sol da Meia-Noite, a que certos místicos se referiam, que nos traz ao mundo os raios de luz, vida e amor. Assim Cristo é Thifaret da cabala, a beleza divina que une todos os outros atributos da Luz Maior do Pai, sendo representante do adepto, centro da árvore da vida. Disse o Rosacruz Max Heindel: “Ao mesmo tempo devemos exaltar Deus em nossas próprias consciências, aceitando a afirmação bíblica de que Ele é espírito e que não podemos tentar representar a Sua imagem, nem retratá-Lo, pois Ele a nada se assemelha, quer nos céus quer na Terra. Podemos ver os veículos de Jeová circulando como satélites em volta de diversos planetas. Também podemos ver o Sol, que é o veículo visível de Cristo. Mas o Sol Invisível, que é o veículo do Pai e fonte de tudo, este só pode ser visto pelos maiores clarividentes e apenas como a oitava superior da fotosfera do Sol, revelando-se como um anel de luminosidade azul-violeta por trás do Sol. Mas nós não precisamos vê-Lo. Podemos sentir Seu amor e essa sensação nunca é tão grande como na época do Natal, quando Ele nos está dando o maior de todos os presentes: o Cristo do novo ano”. 


Fontes

Lucas 1: 26-33

Efésios 2: 13-18

“Interpretação Mística do Natal” – Max Heindel

“ A Tradição e o Calendário Lunar” – Grupo Hermanubis

“Iniciação às Runas” - Ligia Amaral Lima
             
“Manual Bíblico Unger” - Merrill Frederick Unger

“Solstício de Inverno” - Irmão Albertus S. I.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O menino Jesus na infância e seus milagres

          O menino Jesus na infância e seus milagres



Já durante a infância Jesus realizava milagres, inclusive ressuscitou um menino. Curou muitos já em sua infância, como provam os evangelhos ditos apócrifos:
Segundo o Evangelho Apócrifo de Pedro:

XI. A Cura do Menino Endemoninhado

O filho do sacerdote, acometido do mal que o afligia, entrou no albergue insultando José e Maria, já que os outros hóspedes haviam fugido. Como Maria havia lavado as fraldas do Senhor Jesus e as estendera sobre umas madeiras, o menino possuído pegou uma das fraldas e colocou-a sobre sua cabeça. Imediatamente os demônios fugiram, saindo pela boca, e foram vistos sob a forma de corvos e serpentes. O menino foi curado instantaneamente pelo poder de Jesus Cristo e se pôs a louvar o Senhor que o havia libertado e rendeu-lhe mil ações de graça.
Quando seu pai viu que ele havia recobrado a saúde, exclamou, admirado:

   Meu filho, mas o que te aconteceu e como foste tu curado?"

O filho respondeu:

   No momento em que me atormentavam, eu entrei na hospedaria e lá encontrei uma mulher de grande beleza, que estava com uma criança. Ela estendia sobre umas madeiras as fraldas que acabara de lavar. Eu peguei uma delas e coloquei-la sobre minha cabeça e os demônios fugiram imediatamente e me abandonaram.

O pai, cheio de alegria, exclamou:

Meu filho, é possível que essa criança seja o Filho do Deus vivo que criou o céu e a terra e, assim que passou por nós, o ídolo partiu-se, os simulacros de todos os nossos deuses caíram e uma força superior à deles destruiu-os.”

XXVII. A Peste em Belém

Quando chegaram a Belém, havia uma proliferação de doenças graves e difíceis de serem curadas, que atacavam os olhos das crianças e lhes causavam a morte. Uma mulher, que tinha um filho atacado por esse mal, levou-o a Maria e encontrou-a banhando o Senhor Jesus.
A mulher disse-lhe:
  Maria, vê meu filho que sofre cruelmente.
Maria, ouvindo-a, disse-lhe:
  Pegue um pouco desta água com a qual eu lavei meu filho e espalha-a sobre o teu.
A mulher fez como lhe havia recomendado Maria e seu filho, depois de uma forte agitação, adormeceu. Quando acordou, estava completamente curado.

A mulher, cheia de alegria, foi até Maria, que lhe disse:
  Rende graças a Deus por ele haver curado o teu filho.”

Assim muitos possuídos por espíritos ruins foram curados, leprosos, endemoninhados, mudos, etc. O poder do Salvador já se manifestava em atos simples, e mesmo uma água que o tocasse já servia de remédio para curas, usada por Maria em pessoas que esse podia auxiliar de algum modo.
Noutra ocasião, ainda menino, brincando com barro, vivificou um pássaro a partir deste, de forma que saiu voando.
Conforme Evangelho Apócrifo de Pedro:

XLVI. Brincando com o Barro

Um dia, o Senhor Jesus estava na beira do rio com outras crianças. Haviam cavado pequenas valas para fazer escorrer a água, formando assim pequenas poças. O Senhor Jesus havia feito doze passarinhos de barro e os havia colocado ao redor da água, três de cada lado. Era um dia de Sabbath e o filho de Hanon, o Judeu, veio e vendo-os assim entretidos, disse-lhes:
  Como podeis, em um dia de Sabbath, fazer figuras com lama?
Ele se pôs, então, a destruir tudo. Quando o Senhor Jesus estendeu as mãos sobre os pássaros que havia moldado, eles saíram voando e cantando. Em seguida, o filho de Hanon, o Judeu, aproximou-se da poça cavada por Jesus para destruí-la, mas a água desapareceu e o Senhor Jesus disse-lhe:
  Vê como está água secou? Assim será a tua vida.
E a criança secou”.

Também ressuscitou um pássaro em outro momento. Na verdade, deve ele ter ressuscitado diversas crianças durante a sua infância, bem como amaldiçoado as que lhe provocavam, despertando o medo das pessoas, que o chamavam de feiticeiro, impropriamente. Até mesmo no Egito ele se encontrou, o que é confirmado por Mateus. A historicidade desse fato pode ter inspirado as referências talmúdicas à permanência de Jesus no Egito”(Dicionário de Jesus e dos Evangelhos).
Conforme Pedro em um relato de ressurreição:

XLIV. O Menino que Caiu e Morreu

Um dia, o Senhor Jesus estava brincando com outras crianças em cima de um telhado e uma delas caiu e morreu na hora. As outras fugiram e o Senhor Jesus ficou sozinho em cima do telhado. Então os pais do morto chegaram e disseram ao Senhor Jesus:

Foste tu que empurraste nosso filho do alto telhado.
Como ele negasse, eles repetiram mais alto:
Nosso filho morreu e eis aqui quem o matou.
O Senhor Jesus respondeu:
Não me acuseis de um crime do qual não tendes nenhuma prova. Perguntemos, porém, à própria criança o que aconteceu.
O Senhor Jesus desceu, colocou-se perto da cabeça do morto e disse-lhe em voz alta:
Zeinon, Zeinon, quem foi que te empurrou do alto do telhado?
O morto respondeu:
Senhor, não foste tu a causa da minha queda, mas foi o terror que me fez cair.
O Senhor recomendou aos presentes que prestassem atenção a essas palavras e todos eles louvaram a Deus por este milagre”.
E ainda um relato de maldição, comparável ao da figueira:

XLVII. Uma Morte Repentina

Certa noite, o Senhor Jesus voltava para casa com José, quando uma criança passou correndo na sua frente e deu-lhe um golpe tão violente que o Senhor Jesus quase caiu. Ele disse a essa criança:

  Assim como tu me empurraste, cai e não levantes mais.

No mesmo instante, a criança caiu no chão e morreu”.

Sobre os apócrifos alguns criticam, mas meu amigo Minikovsky é a favor de que sejam inclusos na Bíblia, conforme Summa Philosophica: “Tese de n° 05.427: Diria até mesmo que além desta Bíblia da Igreja Católica Apostólica Romana com seus 73 livros, uma editora valente e corajosa deveria publicar a Bíblia tradicional acrescida de todos os apócrifos  possíveis e imagináveis, em 2000 anos de cristianismo quem foi que teve coragem?!”. Deste modo fica a crítica da crítica, uma vez que os evangelhos canônicos também foram escolhidos com um critério não tanto científico se comparado as nossas técnicas atuais. Até os escritos de Nag Hamadi, do Mar Morto são mais verídicos do que aqueles que forma escolhidos pela Igreja Católica. Não podem outros assim dogmatizar sobre o que é inspirado pelo Espírito Santo e o que não é. Resta a fé e a inspiração para revelar a verdade, e sobre relatos da infância, é certo que Jesus teve infância, e que alguém deve ter testemunho de sua vida nesse período.
Mas com treze anos Jesus estava sendo testado. Os rabinos perguntavam a ele a respeito da Lei e ele os respondia com propriedade. Ele estava na casa do Pai. A nossa casa é o nosso corpo, templo vivo, do Espírito Santo. Tornemos sagrada a nossa casa, o nosso templo. Precisamos nos perder, para nos encontrar (como o filho pródigo da parábola). É o autoconhecimento que nos leva a verdade. É o deserto que devemos enfrentar por quarenta dias (XXXX). A infância de Cristo demonstra que ele foi profetizado, que estava em sua missão cósmica. Curar e ressuscitar faria parte de sua vida no futuro, bem como operar os exorcismos. Ele foi a Palavra viva de seu palavra viva entre os homens, o filho do homem (iniciado/adepto), iluminado e quem deve se fazer criança é o homem para estar em sua presença.


César Vidal Manzanares - Dicionário de Jesus e dos Evangelhos
Cléverson Israel Minikovsky - Summa Philosophica
Evangelho Apócrifo de Pedro
As Doutrinas Secretas de Jesus - Harvey Spencer Lewis 

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Nascimento místico de Jesus

Nascimento místico de Jesus



“E, havendo eles se retirado, eis que um anjo do Senhor apareceu a José em sonho, dizendo: Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito, e ali fica até que eu te fale; porque Herodes há de procurar o menino para o matar”. “Cumpriu-se então o que fora dito pelo profeta Jeremias” (Mat. 2:13-17)


O Cristo foi encarnado do Espírito Santo e da Maria. Ele renasce como a vida renasce. Nasceu da mulher celestial, da eterna virgem e mãe natureza. Segundo meu amigo Minikovsky: “Tese de n° 08.983: Os romanos adoravam o deus Sol em 25 de dezembro, data a que se atribui o nascimento de Jesus Cristo por ser considerado a ‘Luz do Mundo’” e “Tese de n° 04.760: Deus encarnou-se numa figura estrondosamente masculina, Cristo Jesus, mas prestigiou as mulheres ao escolher ser gestado no ventre de Maria, Mãe d’Ele e Nossa Mãe”. (Summa Philosophica). Assim o Paráclito nasce no nosso coração, ou seja, quando há pureza em nosso coração. O amor aí se torna a lei. O Filho do Homem nasce em todo aquele que tem fé e renasce em si mesmo, se regenera.
Outrossim, também temos de renascer, como o Sol na aurora. O Cristo é a estrela da manhã. Uma vez que ele nasce no coração do homem, ou seja, é Cristo Interno, e o mistério está completo. Esse mesmo Senhor que está em todo o lugar, em todas as coisas. É o Logos com que foi criada a Criação, em que emanou a existência. Nasceu em Adão e renasceu com o Novo Adão. Nascerá assim, com o Novo Homem, o homem cristificado. É o modelo novo da humanidade. Nasce sobre o brilho da estrela mágica, pentagonal. Os três magos trouxeram presentes espirituais. Cristo renasce infinitamente. A natureza o vê renascido em cada solstício de inverno, sacrificando-se pela natureza e vida do mundo. Provavelmente nasceu numa capela em formato de hospital, em ritual específico, pois já era anunciado. Os essênios eram místicos, vestiam-se geralmente de branco e muitos não se casavam. Também se deve lembra que nasceu o filho do homem no solstício de inverno, vencendo as trevas na origem, influenciado pelo signo de capricórnio. “Na noite entre 24 e 25 de dezembro, o Sol, tendo começado a elevar-se vagarosamente em direção ao Equador da Terra, o signo zodiacal de Virgo, a Imaculada Virgem celestial, está no horizonte leste em toda latitude norte (pouco antes da meia-noite)” (Cristo Cósmico e Oculto). Muitos mestres teriam nascido de virgens, como Hórus, Krishna, Buda, Zoroastro etc. A data também é especial, mesmo se atribuída.
E a mãe pura o acolheu no bendito ventre. Segundo a GFB: “Toda grande alma que veio ao mundo para viver uma vida de sublime santidade, como a que se exige para a Iniciação Mística Cristã, renasceu através de pais de imaculada virgindade, que não estavam dominados pela paixão durante o ato gerador. 'O homem não colhe uvas dos abrolhos'. É uma verdade axiomática que o semelhante atrai o semelhante, e antes que qualquer um se torne um Salvador, deverá ser puro e sem pecado” e “O 'nascimento místico' de um 'construtor' é um acontecimento cósmico de grande importância” (Cristo Cósmico e Oculto). Tal construtor (tekton em grego) é o Grande Arquiteto Yeshuah, Jesus, como atestam os Martinistas. Ainda, ensinou Irene Gomez de Ruggiero: “Cada um de nós é um Cristo em embrião, e algum dia passaremos pelo nascimento místico e pela morte mística, anunciados nos Evangelhos. Algumas vezes, teremos caracteres tão imaculados que seremos credores de habitar corpos concebidos imaculadamente; e quanto mais depressa purificarmos nossas mentes, tanto mais cedo alcançaremos nossa realização. Para finalizar, isto depende unicamente da honradez de propósitos e de nossa força de Vontade” (Símbolos Bíblicos a Luz da Filosofia Rosacruz). O nascimento místico do Grande Arquiteto é a manutenção de nossa vida física e espiritual, e deveríamos ser filhos imaculados desse princípio.
E a cidade onde nasceu é naturalmente um monte, lembrando o das Oliveiras e ainda onde recebeu Moisés a Lei. Segundo teólogos, Belém era “Cidade a 777 metros de altitude. Seu nome em hebraico significa casa do pão. Situa-se a 10 quilômetros a sudoeste de Jerusalém. Possui cerca de 12000 habitantes. Nos tempos de Jesus, a cidade de Belém pertencia à região da Judéia. A cidade fica no alto de uma colina – fortaleza natural”. (Introdução a Teologia – Geografia Bíblica). Também Davi teria nascido em Belém. Miquéias profetizou que o messias nasceria em Belém. Na “casa de pão” teria nascido o verdadeiro pão do céu. 
É também o peixe, revelando a Era/Aeon dos tempos que estava inserido. Diferentemente do festival das fadas do verão, no inverno se busca mais a introspecção e espiritualidade, campos propícios para que o Cristo Cósmico e interno venha sempre a nascer dentro de nós. Renasce na ressurreição, todo o ano.  O Cristo assim nasce em nosso coração, no seio de nossa alma, de nosso amor espiritual. Mesmo disse João Paulo II: “José, pelo que sabemos do Evangelho, é homem de ação. E homem de trabalho. O Evangelho não conservou palavra alguma sua. Descreveu-lhe porém as ações: ações simples, quotidianas, que têm ao mesmo tempo significado límpido no que respeita ao cumprimento da Promessa divina na história do homem; obras cheias de profundidade espiritual e de simplicidade amadurecida” (Catequeses de João Paulo II). Também deve o homem em Cristo superar a serpente descendente (a sexualidade não casta), fazendo com que a energia não mais desça as trevas (pisando na cabeça), mas que suba através da cruz do corpo (como havia feito Moisés para livrar-se do veneno das serpentes e representa a mulher no Apocalipse), a fim de renascer ressuscitando para sempre na rosa. Como o Sol que renasce no oriente, o Cristo também ressurge simbolicamente todos os dias a fim de nos lembrar sobre a vida. Não a vida de um ou de outro, mas a origem da vida, pelo Verbo que era Deus, que fez tudo nascer.


Fontes

Summa Philosophica – Cléverson Israel Minikovsky
Crítica das Crenças – Mariano Soltys
Cristo Cósmico e Oculto – GFB, em site www.infolink.com.br/ssg/
As Doutrinas Secretas de Jesus - Harvey Spencer Lewis 
Símbolos Bíblicos a Luz da Filosofia Rosacruz – Irene Gomez de Ruggiero
Yeoschuah - Grande Arquiteto do Universo dentro da tradição Martinista – artigo em  www.sca.org.br
Catequeses proferidas pelo Papa João Paulo II – Teologia do corpo
Faculdade de Educação Teológica Fama -  Curso Livre de Teologia - Introdução a Teologia/Geografia Bíblica