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terça-feira, 1 de abril de 2014

Paulo e o conhecimento dos mistérios na iniciação cristã

Paulo e o conhecimento dos mistérios na iniciação cristã


 

“Quando se achou só, os que estavam ao redor dele, com os doze, interrogaram-no acerca da parábola. E ele lhes disse: A vós é confiado o mistério do reino de Deus, mas aos de fora tudo se lhes diz por parábolas” (Marc. 4:10-11)

“Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo” (Gal. 3: 27).

“Por isso daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos desse modo” II Cor. 5:16).

“como pela revelação me foi manifestado o mistério, conforme acima em poucas palavras vos escrevi” (Efe. 3:3)

“Da mesma forma os diáconos sejam sérios, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância, guardando o mistério da fé numa consciência pura” (I Tim. 1: 18).

“Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que estão no céu fossem purificadas com tais sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes. Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus”. (Heb. IX:23)


               

            Paulo revela através de suas cartas uma grande sabedoria, esta provinda diretamente de Cristo Jesus e de forma real, mesmo que por um iniciador (que fez imposição de mãos), sem parábolas, o que constitui a doutrina secreta dos mistérios. A escola dos mistérios existiu em diversas partes do mundo, e no cristianismo também teve este seu próprio mistério. No conselho que dá Paulo na primeira carta a Timóteo, vê-se bem que entre aqueles iniciados (“diáconos”) e que estes tenham comportamento de virtudes, não se entregando ao vinho ou ganância, e em especial, guardando o mistério.

            Assim aos que não eram iniciados no mistério de Cristo, este eram chamados de “cães”. Por isso da alegoria de não se deixar aos cães migalhas de pão. Por isso de se ensinar sobre o mistério do Reino por parábolas ao povo, e aos discípulos em particular, os apóstolos, se ensinar sem parábolas. Isso se nota nos evangelhos apócrifo, sem as mudanças operadas pelas igrejas e concílios. Assim os recém iniciados eram chamados de criançinhas (não se trata de sentido literal...) e os já revestidos de Cristo eram chamados de “perfeitos”. Paulo mostrava isso tudo claramente em suas cartas, e de modo algum queria apenas pregar a massas em troca de dízimo, prestava antes pela qualidade que pela quantidade.
            Estar assim com Cristo está muito além de apenas conviver com o homem Jesus ou com meramente seus ensinamentos. Na verdade é estar junto a Cristo, com o Cristo interno e vivo, transformado em uma nova criatura, como um verdadeiro iniciado ou até mesmo adepto, representando as virtudes e sendo por dentro e por fora um seguidor de Cristo, batizado na água e batizado no fogo. Assim vivendo em si o que viveu Cristo Jesus, não sendo mais desse mundo, como são os profanos. Por isso das experiências místicas de Paulo, de ele ter entrado no terceiro céu e compreender aqueles mundos dos anjos e demônios, e mesmo do Reino dos Céus, ensinado por Jesus, sem parábolas, através de um iniciador. Por isso do próprio Paulo não se focar mais tanto na carne, ou no plano físico, haja vista sua compreensão desse mistério do Reino dos Céus, e do seu Reino Interno. 

            E Cristo bem como todos os profetas, mesmo personagens bíblicos representam algo maior, por analogia, e esse algo maior é o céu, seus governantes celestes (anjos, arcanjos, potestades, astros, satélites etc), e assim revela o sacrifício de muito mais do que animais desse mundo ou do físico, mas se constitui em um tabernáculo celestial, naquilo que os hebreus já conheciam por sua cabala, ou no “sacerdócio segundo Melquisedeque”. Por isso ele fala de tal modo com Nicodemus, porque por regra este último deveria conhecer esses mistérios. Apesar de que a nova aliança parecia restaurar a antiga naquilo que este tinha de mais elevado, ou seja, em sua mística. E assim Paulo é claro em muitas de suas cartas, e mesmo nos Atos, manifestando uma verdadeira transformação do iniciado cristão. E Cristo não é mais conhecido apenas como da carne, mas sim como Cristo Interno e Cósmico, restaurador dos mundos e Juiz das potestades, pelo tesouro do Reino.


sábado, 29 de março de 2014

O Evangelho Valentino, o Reino dos Céus, Inferno e trevas exteriores


O Evangelho Valentino, o Reino dos Céus, Inferno e trevas exteriores

“Eu, porém, vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e quem disser a seu irmão: Raca, será réu diante do sinédrio; e quem lhe disser: Tolo, será réu do fogo do inferno”. (Mat. 5:22)


“E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo”. (Mat. 10:28)


“Também vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e reclinar-se-ão à mesa de Abraão, Isaque e Jacó, no reino dos céus. mas os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.”. (Mat. 8:11);


“Filhos deste mundo são mais sagazes para com a sua geração do que os filhos da luz.” (Luc. 16:8)


“E Jesus respondeu: As trevas exteriores são um grande dragão. E sua cauda está dentro da sua garganta, e está fora do mundo, e o rodeia. E contém numerosos lugares de tortura, que são compreendidos em doze divisões, consagradas a terríveis suplícios. E cada uma dessas divisões é um arconte, e as figuras desses arcontes são diferentes, e se transformam adotando diversas formas”. (Evangelho Valentino)


Lendo o Evangelho Valentino, percebi que ele complemente a Bíblia no que ela é omissa. Assim temas como a queda dos anjos, o inferno e mesmo atos dos demônios, são ali descritos. Vemos assim que a tradição cristã tem as suas verdades que ultrapassam a simples letra da Bíblia que possuímos. Apesar de que esse evangelho dito apócrifo poderia estar no Canon da Igreja Cristã ortodoxa etíope, como já observamos o da Verdade e livro de Enoc. Assim é relevante a todo cristão.
 

Nesse livro, é explicado o Reino dos Céus e também o inferno, ou os éons e suas esferas, satélites, arcontes, anjos e demônios. Vemos assim aqueles fatos explicados em desculpas de padres para não pecar, como os castigos a que estão sujeitos os pecadores, lá descritos de forma detalhista. Assim os demônios cuidam dos pecadores, e estes têm a aparência das bestas do livro de Revelação (Apocalipse), e se relacionam intimamente com as pessoas. São animais fabulosos.

Para conhecedores da cabala, vê-se que esse livro fala dos planos ou dimensões, dos mundos, e o inferno seria em específico sobre a Árvore do Conhecimento, ou da morte, e suas conchas (Qliphot). E isso se refere aos Mistérios da Luz, uma vez que Jesus falou aos discípulos obre esses mistérios, os quais levariam ao perdão dos seus pecados. Então o “Pai de meu Pai”, Iao, segundo Jesus, e mesmo Melquisedeque, e outros que levariam a esse Reino da Luz, salvariam os homens. Em especial claro, Jesus é nosso salvador e divulgados desses mistérios, mesmo que na Bíblia estando em parábolas.
 

Sobre esses pecados e seus castigos está também o Apocalipse de Pedro como revelador do segredo, ou interpretação das Parábolas. Logo o Reino dos Céus é esse mistério da Luz, desse Tesouro da Luz, com o qual está o homem liberto dos arcontes e de seus demônios, dessas regiões infernais e perdoado em seus pecados. Também não pode assim o Satã ou Demiurgo (Ildabaoth) levar o pecador mais a esse destino, que usualmente é sua morada quando abandona a veste carnal. Assim possuindo a gnose pode o cristão encontrar a salvação, através da água, fogo, vinho e sangue, para encontrar o Pai do tesouro da luz, nosso Pai. E pelo contrário, o pecador encontra as trevas exteriores, quando não acessar esse Tesouro da Luz, não explicado em capítulo 8:11 do Evangelho de Mateus. Estamos assim na esperança da Verdade, que nos libertará, em Cristo.
 
 

segunda-feira, 24 de março de 2014

Bíblia da Igreja Ortodoxa etíope e presença de mais livros que outras bíblias



Bíblia da Igreja Ortodoxa etíope e presença de mais livros que outras bíblias





 
 

            Vemos nos comparativos de números de livros da Bíblia a quantidade maior de livros presentes na Católica, em relação a Bíblia protestante. Contudo não percebemos que existe a versão da Septuaginta, que tem ainda mais livros, e ainda a versão da Bíblia da Igreja Ortodoxa Etíope, que chega a ter mais de 83 livros, por acrescentar alguns chamados ou tidos por apócrifos.

 
            Já abrindo a septuaginta, se percebe a presença de 4 livros de Macabeus, de Salmos de Salomão, Odes e outros livros. A protestante chegou a tirar todos os livros de Macabeus, bem como Eclesiástico, Sabedoria, em um total de 11 livros que estavam incluídos na Católica. Esses livros já são chamados pelos protestantes de apócrifos. Porém na Septuaginta há mais, e na versão da Igreja Ortodoxa Etíope há bem mais. 

 
 
            Na Bíblia da Igreja Ordoxoxa Etíope há inclusive o Livro de Enoc, bem como alguns como Atos de Paulo, Oração de Manassés, Salmo 151, 1 Clemente, 1 Esdras, Pastor de Hermas, 4 Livros de Macabeus, Bel e o Dragão, Odes e ainda Jubileus. Totaliza assim em torno de 90 livros, mais que as outras bíblias. São muitos dos livros que que cristãos de várias denominações veem como apócrifos ou até mesmo proibidos, ou mesmo heresias. Contudo sabemos que a escolha do que é canônico se fez muito por opções políticas. E são livros que dão muitas respostas históricas não presentes em outras Bíblias, de onde são suprimidos. Já a Bíblia Hebraica nem tem o novo testamento, a não ser que seja de judeus messiânicos. 
 


            Vemos que desde a descoberta de arquivos históricos bíblicos em Nag Hammadi, Egito, em 1945, fica cada vez mais estranho falar em livros apócrifos em comparação aqueles que estão na canônica. Mesmo porque são até muitos deles anteriores e mais puros do que aqueles das Bíblias comuns, já tão alteradas por traduções e gostos de cada seita ou designação cristã. O Evangelho de Tomé é muito bom e tem vários ensinamentos de Jesus que se confirmam em outros Evangelhos. Assim o Livro de Enoc fala dos gigantes e de Noé, temas que não possuímos nas bíblias tradicionais. Não há prejuízo nenhum em se incluir estudos, desde que se tenha o critério de selecionar o que se pode ter como central ou não na evangelização. Fatos como os da infância e período não público da vida de Jesus podem assim estar presentes nesses escritos, auxiliando em estudos e na fé.
           



domingo, 2 de março de 2014

As duas bênçãos, diferença do jardim para Éden, árvore do conhecimento, não citar próprios pecados, orar com janelas, Deus Pai e caridade



As duas bênçãos, diferença do jardim para Éden, árvore do conhecimento, não citar próprios pecados, orar com janelas, Deus Pai e caridade



“Ó Senhor, Deus da vingança, ó Deus da vingança, resplandece”. (Sal. 94:1)
“Porque desde a antigüidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu”. (Isa. 64:4)
“E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro braços”. (Gên. 2:10)
“O que rouba a seu pai, ou a sua mãe, e diz: Isso não é transgressão; esse é companheiro do destruidor”. (Prov. 28:24)
“Se meu pai vos carregou dum jugo pesado, eu ainda aumentarei o vosso jugo; meu pai vos castigou com açoites; eu, porém, vos castigarei com escorpiões” (I Reis 12:11)
“Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto” (Sal. 32:1)
“Quando Daniel soube que o edital estava assinado, entrou em sua casa, no seu quarto em cima, onde estavam abertas as janelas que davam para o lado de Jerusalém; e três vezes no dia se punha de joelhos e orava” (Dan. 6:10)


 

                A Bíblia carrega uma série de ensinamentos de sabedoria. Certas passagens passam batidas e parecem ser meras repetições sem sentido, ou outros detalhes parecem estar longe da vida do devoto. Por outro lado, ao se ater nos detalhes, o mesmo observa que sim, do texto bíblico se extrai grandes lições morais. Temas como onde orar, não mostrar pecados, o porquê de Deus ser pai e onde isso estar no texto do Antigo Testamento, o jardim e o Eden e outros temas, nos levam a ler os sábios da Mishna, no Talmud. A tradição oral assim nos alimenta daquelas dúvidas presentes na Bíblia (escrita). Pois Moisés teria recebido duas tábuas, uma da lei escrita e outra da lei oral. 

            Já no Salmo 94 se percebe as duas vinganças. Isso segundo sábios comentaristas se refere à necessidade de se abençoar as coisas boas e também as ruins, para assim evitar a vingança do Senhor. Leva-nos ao tema da gratidão para com o Criador, uma vez que usufruímos desse mundo e devemos antes de tudo agradecer ao Rei do Universo, contemplando Sua majestade celeste. Normalmente as pessoas apenas abençoam as coisas boas, e esquecem que pesa um jugo sobre elas, do Juízo do Senhor. Pois um pai castiga porque ama.
 


            Sobre o tema do pai, em muitas passagens bíblicas há a analogia de pai, e por fim vemos em Yehoshua (Jesus) várias menções ao Pai do céu, apesar de que o termo era já usado no antigo testamento. Assim em Provérbios 28, quando se fala em roubar do pai, está se falando em não oferecer a bênção ao que se recebe de Deus, que seria receber Sua criação e sustento, sendo assim ingrato, O roubando. A mãe é Israel (ou a Igreja), e assim também é assaltada ao se ter para com ela ingratidão. Sobre em Reis falar que o pai deu um jugo, e que outro castigará com escorpiões, é porque a morte é certa com os escorpiões, e nem seria tanto com víboras ou Leões, pois lembramos de Daniel que sobreviveu aos leões. 

 


            O que não se ouviu nem viu desde a antiguidade (Isaías 64), se refere ao vinho guardado desde os 6 dias da Criação. Ademais, sobre o tema de Éden, esse se diferencia do jardim, pois em Gênesis 2:10 se diz que saiu do Éden para regar o jardim, então são dois lugares diferentes, por lógica. Isso se não esquecermos a lição da Cabala (Zohar), onde se fala ainda em um Éden celestial, além do aqui na Terra. Já a árvore do conhecimento segundo sábios da Mishna e Gemara (Talmud), na verdade era a videira, uma vez que o vinho trouxe muitas desgraças, com o exemplo de Noé e sua embriaguês.
            Com relação ao Salmo 32, vemos que fala em pecado encoberto. Desse modo, a lição que fica é que não se deve fazer propaganda e notícia dos próprios pecados, divulgando eles como forma de fama. Vemos em nossa cultura essa moda de divulgar coisas erradas que se fez, e fazer disso um status de rebeldia. Também adolescentes gostam de fazer piadas de suas transgressões e pecados. Claro que é bem-aventurado quem assim não faz, e melhor, quem nem ao menos peca. 


            Sobre um local para orar, este não pode ser sem janelas, para que assim se possa ver o céu. Onde está essa lição? Em Daniel 6:10, uma vez que já diz que ele se ajoelhou e orou, e as janelas estavam ainda abertas. Orar três vezes ao dia é a regra comum ao judeu. E sobre a caridade? Há três modos de dízimo relatados em um quadro presente no Talmud, relatando uma colheita. Isso se destina a pobres, viúvas, órfãos etc (não a pastores que querem enriquecer...). Fala-se em Léket, Shisheshá e Peá. Assim, o que se deixa cair na colheita não se deve pegar, o que é esquecido (algum saco...) e ainda se deve reservar um canto na colheita para os pobres. Vemos assim que transpondo essa realidade para algo citadino ou industrial, vemos que parte do salário ou da produção deveria se destinar ao pobre. E que o que foi esquecido poderia ser livremente pegado (e não seria furto). Desta feita percebemos a lição dos sábios sobre temas que muitas vezes são esquecidos, ou que não foram ainda ensinados, haja vista o texto sem a tradição oral, ser incompleto de sentido.  

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Regras do Levítico segundo sábios a respeito de costumes, casamento, comércio e ano sabático



Regras do Levítico segundo sábios a respeito de costumes, casamento, comércio e ano sabático
 
“Não comereis coisa alguma com o sangue; não usareís de encantamentos, nem de agouros. Não cortareis o cabelo, arredondando os cantos da vossa cabeça, nem desfigurareis os cantos da vossa barba. Não profanarás a tua filha, fazendo-a prostituir-se; para que a terra não se prostitua e não se encha de maldade.”. (Lev. 19:26, 27, 29)
“Como um natural entre vós será o estrangeiro que peregrinar convosco; amá-lo-eis como a vós mesmos; pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu sou o Senhor vosso Deus” “Balanças justas, pesos justos, efa justa, e justo him tereis. Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito”. (Lev 19:34,36)
“Seis anos semearás a tua terra, e seis anos podarás a tua vinha, e colherás os seus frutos; mas no sétimo ano haverá sábado de descanso solene para a terra, um sábado ao Senhor; não semearás o teu campo, nem podarás a tua vinha” Lev. 25

         Vemos muitas vezes que as regras necessitam de interpretação, e que apenas sua boa interpretação que leva a efetividade. Temos assim de encontrar a razão dessas leis, sua ratio legis, de tal modo que no caso do que temos na Bíblia, não é diferente. Parece que o cerne dessas regras constantes no livro de Levítico é de separar a nação de Israel, escolhida, daqueles povos pagãos, que cultuavam outros deuses, ou melhor, da idolatria. Conhecemos essas regres especialmente pelos 10 mandamentos, apesar de que lembramos que em verdade para a humanidade, ou filhos de Noé, são 7 mandamentos, e que para judeus são 613. Isso ainda inclui a tradição oral, o Talmude e uma série de detalhes, como os ensinados pelo mestre Yehoshua (Jesus), como amar ao próximo como a si mesmo, lição já presente nos Salmos. Ademais, para judeus são duas classes de mandamentos: 1 – Mishpatim, que são os mandamentos racionais e lógicos; 2 – Juquim, que são os mandamentos oriundos da Sabedoria Divina, acima da razão.


       Sobre as regras de costumes, fala o livro de Levítico contra costumes pagãos, de modo que não seria proibido a um judeu interpretar sonhos ou usar de um poder espiritual, mas que isso já está presente na tradição mística judaica, na cabala, Zohar, midrash, Talmud etc. Assim existe sim uma tradição mística e não se confunde com a pagã, e por isso da proibição em questão, o que não significa que o judeu ou judeu messiânico tenha de se esquivar de qualquer intuição e inspiração divina. Mesmo porque os profetas previam o futuro, e assim a proibição é de se seguir costumes pagãos, como a necromancia, feitiços usando sangue para cultivo, como o citado, seguindo a regra do casamento, o que se afasta de apoiar vida promiscua de filha. Sobre o casamento, para o judeus ele não é indissolúvel ou sacramental. Apesar de que o adultério era punido severamente, até com pena de morte. O casamento é chamado pelos sábios de Kidushín, consagração. A regra do casamento vale para os filhos de Noé. Também a aparência devia ser diferente de outros povos, o que há na referência da barba e cabelo aparado. Também deve se lembrar que isso não deve ser confundido com o sacrifício animal informado na Torá-Bíblia, e nem com outros costumes ali descritos. Mas no judaísmo místico, na cabala existiam os Baal Shem, que eram também espécie de curandeiros, assim como existiu a “sorte”, pela Urim e Tumim, o que prova contra rigores de alguns, que falam ser proibida toda forma de inspiração, curandeirismo ou previsão.
 
       Ao se ler os exegetas e sábios comentaristas no Chumash (Abarbanel, Rashi, Ibn Hezra, Maimônides e outros), se percebe também que a regra referente a estrangeiros já antecipava o que Yehoshua havia feito, aceitando-se que Deus é Criador da humanidade, e que se deve segundo comentaristas, “amar o estrangeiro”. Deste modo a questão supera a noção de nacional. Não se trata de um nacionalismo. Assim a humanidade é entendida como filha de Noé. Também se fala numa regra de justiça ou equidade, de modo que se refere a balança não tenha dois pesos, ou que a moral seja dupla. Sobre o him ele é pequena medida, e a efa é a grande medida. Ser igual tanto no pequeno julgamento quanto no grande. Aqui interessante que os sábios colocam o comerciante equivalente ao juiz, de modo que ambos pesam coisas e julgam. Deve-se ser justo e não adulterar a balança. E assim o pequeno inclui o grande (him inclui efa). 
       Sobre o ano sabático, ou Iovél, há uma certa contradição dos exegetas. Uns acham que esses sétimo ano de descanso da terra, seria para se exercitar a benevolência e misericórdia com os povos (Maimônides), outros acham que se deve ter outros motivos, de interesse um que fala que seria um ano dedicado ao estudo da Torá (Ibn Hezra). Para tanto, segundo esse último seria um modo de se afastar do materialismo, do acúmulo de bens materiais. Na verdade revela o mistério do número 7, a heptada, e seu ciclo. A lição que fica que somos apenas inquilinos desse mundo, lembrando lição de Yehoshua, que somos transeuntes. Por tudo isso vemos que o Levítico tem de ser analisado se observando o contexto, e que para se evitar julgamentos temerários, se deve consultar os sábios e a tradição que envolve as mitzvot (mandamentos), a fim de não se ter balança pesada demais, e nem leve demais. E o centro é a separação de costumes pagãos, em especial que envolviam regras irracionais, imoralidades ou perversidades. Deve-se refletir a sabedoria do Criador, e as leis servem para que se busque esse objetivo.